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"Jovem morre dentro de hospital, depois de esperar 28 horas por uma cirurgia".


 

 

 

 


Essa poderia ser mais uma das muitas manchetes da grande imprensa que denunciam os problemas da saúde pública no Brasil. Mas, dessa vez, o hospital não era do SUS. Ana Carolina Domingos Cassino tinha apenas 23 anos, era servidora pública da área da saúde. Tinha plano de saúde privado e, depois de uma simples crise de apendicite, morreu dentro de um hospital da Unimed.
 


A morte estúpida de Ana Carolina, no último dia 17 de agosto, no Hospital Unimed Barra - RJ, não é apenas uma fatalidade a que qualquer um está sujeito. Ela revela o desumano processo de mercantilização da vida e dos direitos básicos a uma existência digna que atinge o grosso da população, desde os contingentes mais desfavorecidos até a classe média que custeia planos de saúde privados. Os modos, no entanto, são distintos: para os pobres e miseráveis, sobrou um SUS que deveria ser de qualidade, mas tem sido crescentemente sucateado e tornado ineficiente; para a classe média, o mesmo SUS que deveria ser universal vem sendo substituído por planos de saúde caros e de péssima qualidade. Na base de ambas as situações, está o mesmo processo de privatização do direito à saúde. Porque a desvalorização e o atrofiamento do SUS, um sistema construído para ser público, universal e de qualidade, têm resultado no vertiginoso crescimento dos planos privados que se sustentam cada vez mais também com recursos públicos.


 

Nada disso é por acaso. As mesmas empresas que trabalham diariamente para enfraquecer o SUS, receber mais subsídios públicos e fortalecer uma concepção privatista de saúde são as que, em nome do lucro, diminuem crescentemente as redes de assistência, negam procedimentos com indicação médica e matam jovens como Ana Carolina. A cínica peça publicitária da Unimed que diz que “o melhor plano de saúde é viver”, nunca foi tão hipócrita e trágica. Um SUS público, universal e de qualidade é a única garantia de que a saúde não seja tratada como mais uma mercadoria, provocando sofrimento, dor e morte para milhares de anônimos (também conhecidos como “Anas Carolinas”). E a punição exemplar para este caso, que deve responsabilizar a empresa e não pode se restringir aos profissionais que atuam em suas dependências – em geral mal pagos e sobrecarregados –, é a bandeira da hora de todos que acreditam que a vida precisa estar acima do lucro.

 

 

 

CHEGA DE DESCASO!